08 de Junho, 2026

Por Vythoria Fobos
Jovem e Ensino
Empreendedorismo
O empreendedorismo e a educação costumam ser apresentados como aliados. Afinal, ambos desenvolvem autonomia, criatividade, resolução de problemas e capacidade de adaptação. Mas existe uma questão cada vez mais debatida: o incentivo ao empreendedorismo fortalece a formação dos jovens ou pode desvalorizar o próprio processo educacional?
O debate ganha relevância diante de um cenário em que o Brasil soma 4,9 milhões de empreendedores entre 18 e 29 anos, representando 16% do total de donos de negócios do país. Apesar do aumento da escolaridade nessa geração, apenas 27,2% possuem CNPJ, o menor índice entre todas as faixas etárias.
Quando o empreendedorismo fortalece o ensino
Estudos apontam que a educação empreendedora gera benefícios quando é tratada como uma competência e não apenas como um caminho para abrir empresas. Entre os principais ganhos estão:
Desenvolvimento do pensamento crítico;
Maior protagonismo estudantil;
Capacidade de identificar oportunidades e resolver problemas;
Melhora da autoconfiança e da liderança;
Conexão entre teoria e prática.
Pesquisas com estudantes mostram que programas de empreendedorismo aumentam a iniciativa, a criatividade, a comunicação e a capacidade de tomada de decisão. Nesse contexto, o empreendedorismo não substitui a educação: ele a torna mais significativa.
Quando o empreendedorismo começa a anular o ensino
O problema surge quando o discurso empreendedor transmite a ideia de que estudar é secundário ou dispensável.
Essa visão pode levar à romantização do "largar tudo para empreender", à desvalorização dos diplomas e à crença de que o sucesso depende apenas do esforço individual, ignorando fatores como acesso à educação, contexto econômico e oportunidades disponíveis.
O risco não está no empreendedorismo em si, mas em transformá-lo em uma solução universal para todos os desafios.
O que os dados sugerem?
As pesquisas indicam que os melhores resultados aparecem quando há equilíbrio. Jovens que recebem educação empreendedora dentro de uma formação sólida tendem a desenvolver mais inovação, iniciativa e capacidade de adaptação.
Não existe evidência consistente de que abandonar ou negligenciar os estudos aumente as chances de sucesso empreendedor. Pelo contrário: conhecimento, experiência e aprendizado contínuo continuam sendo diferenciais importantes para quem deseja construir negócios sustentáveis.
A Grande Reflexão
Talvez a pergunta não seja:
"Empreendedorismo ou educação?"
Mas sim: "Que tipo de empreendedor queremos formar?"
Um jovem que empreende sem aprender corre o risco de repetir erros já conhecidos. Um jovem que aprende sem desenvolver iniciativa pode ter dificuldade para transformar conhecimento em impacto.
O desafio das escolas atuais é unir os dois caminhos: formar estudantes capazes de aprender, questionar, criar e empreender, sem transformar a educação em algo descartável.

