26 de Agosto, 2026

Por Vythoria Fobos
Desenho dos alunos
Animated Drawings
E se um desenho feito por um aluno pudesse sair do papel e ganhar movimento? É exatamente essa a proposta do Animated Drawings, uma ferramenta da Meta que utiliza inteligência artificial para transformar desenhos de personagens em pequenas animações.
E aqui está a parte mais interessante para o professor: a ferramenta pode ser muito mais do que uma brincadeira tecnológica. Ela pode se transformar em uma estratégia de aprendizagem lúdica, capaz de envolver os alunos em diferentes etapas da aula.
Como funciona?
A proposta é simples: o professor pode pedir que os alunos desenhem um personagem relacionado ao tema estudado. Depois, o desenho pode ser digitalizado ou fotografado e levado para o Animated Drawings, que identifica o personagem e permite aplicar movimentos.
O resultado pode ser surpreendente: aquilo que começou como um simples desenho passa a se movimentar.
E é justamente aí que entra a criatividade do professor.
Uma ideia para setembro: e se a Independência do Brasil ganhasse vida?
Setembro pode ser uma ótima oportunidade para transformar um conteúdo histórico em uma experiência diferente.
Imagine uma aula sobre a Independência do Brasil em que os alunos criam seus próprios personagens: Dom Pedro I, soldados, integrantes da população, comerciantes ou até personagens fictícios que representem diferentes grupos da sociedade naquele período.
Depois, esses desenhos podem ganhar movimento.
Mas a atividade não precisa parar na animação. Os alunos podem criar uma pequena narrativa explicando o contexto histórico, produzir falas para os personagens e apresentar diferentes perspectivas sobre o processo de independência.
Assim, o conteúdo deixa de ser apenas uma sequência de datas para se transformar em uma história construída pelos próprios estudantes.
A Independência aconteceu em 1822. Mas, em uma aula como essa, a forma de contá-la depende da imaginação do professor. E, dos alunos, criatividade certamente não vai faltar.
Em quais disciplinas pode ser aplicada?
Apesar de funcionar muito bem em História, a proposta pode ser adaptada para diversas áreas:
História:
Representação de acontecimentos históricos, personagens e diferentes perspectivas sobre determinados períodos.
Arte:
Criação de personagens, expressão visual, desenho e experimentação com novas tecnologias.
Língua Portuguesa:
Produção de roteiros, diálogos, narrativas e textos relacionados aos personagens criados.
Geografia:
Criação de personagens para representar regiões, culturas, fenômenos naturais ou transformações do espaço geográfico.
Ciências:
Os alunos podem criar personagens relacionados ao corpo humano, animais, meio ambiente ou conceitos científicos.
Biologia:
Uma célula, um animal ou até um personagem representando um sistema do corpo pode virar protagonista de uma explicação.
Educação Física:
A ferramenta pode ser utilizada para representar movimentos corporais, modalidades esportivas ou personagens relacionados à cultura do esporte.
Língua Inglesa:
Os personagens podem ganhar diálogos em inglês, permitindo trabalhar vocabulário, construção de frases e comunicação.
Quais competências podem ser desenvolvidas?
Uma atividade desse tipo pode trabalhar muito mais do que criatividade.
Entre as competências e habilidades mobilizadas estão:
Criatividade e imaginação
Expressão artística e cultural
Comunicação
Produção textual
Pensamento crítico
Resolução de problemas
Colaboração e trabalho em equipe
Uso consciente de tecnologias digitais
Autonomia
Protagonismo do estudante
O diferencial está justamente em combinar conteúdo curricular + criação + tecnologia.
O aluno não fica apenas recebendo informações. Ele precisa interpretar o conteúdo, tomar decisões, criar um personagem e encontrar uma maneira de comunicar aquilo que aprendeu.
E onde entra a inteligência artificial?
A IA não precisa substituir o processo criativo do aluno. Pelo contrário: pode ser utilizada como uma ferramenta para ampliar aquilo que ele já criou.
O desenho continua sendo produzido pelo estudante. A tecnologia entra posteriormente para dar movimento à criação.
Essa lógica também abre espaço para uma conversa importante em sala de aula: como utilizar inteligência artificial sem deixar que ela substitua nossa criatividade?
É uma discussão cada vez mais necessária na educação.
Uma atividade simples para colocar em prática
O professor pode dividir a aula em quatro etapas:
1. Escolha do conteúdo
Defina um tema que será trabalhado.
2. Criação
Cada aluno ou grupo desenha um personagem relacionado ao conteúdo.
3. Animação
Os desenhos são levados ao Animated Drawings para ganhar movimento.
4. Apresentação
Os estudantes explicam o que o personagem representa e como ele se relaciona com o conteúdo estudado.
No caso da Independência do Brasil, por exemplo, cada grupo poderia representar um personagem ou elemento daquele contexto e, ao final, montar uma pequena narrativa coletiva.
A tecnologia é apenas o começo
Uma ferramenta como o Animated Drawings mostra que uma aula lúdica não precisa abandonar o conteúdo pedagógico.
O professor pode começar com uma pergunta, transformar essa pergunta em um desenho e, depois, transformar o desenho em uma experiência.
Porque tecnologia sozinha não faz uma aula ser inovadora. É a criatividade do professor que transforma uma ferramenta em aprendizagem.
E para setembro, fica o desafio: que conteúdo você faria ganhar vida?
No CICEP, acreditamos que a formação docente também passa pela capacidade de experimentar novas ferramentas, metodologias e possibilidades para tornar a aprendizagem cada vez mais significativa.

