30 de Outubro, 2026

Por Vythoria Fobos
Professor
Educação
Conheça professores brasileiros que transformaram comunidades por meio de projetos sociais, iniciativas educacionais e ações que mostram o poder da educação para mudar vidas.
Quem está diariamente em uma sala de aula sabe que ensinar vai muito além de transmitir conteúdos. É perceber necessidades, identificar oportunidades e encontrar caminhos para que os alunos tenham novas possibilidades de futuro.
Em diferentes regiões do Brasil, professores têm demonstrado isso na prática. Com projetos sociais, iniciativas culturais, ações de incentivo à leitura e atividades que aproximam a escola da comunidade, esses educadores mostram que pequenas iniciativas podem produzir grandes mudanças.
Mas quem são esses professores? Quais projetos desenvolveram? E o que podemos aprender com essas experiências?
Conheça algumas histórias que merecem ser compartilhadas.
1. Pretinhas Leitoras: quando a literatura se transforma em ferramenta de resistência

Local: Morro da Providência, Rio de Janeiro (RJ)
Educadora responsável: Elen Ferreira
Protagonistas: Helena e Eduarda Ferreira
Projeto: Pretinhas Leitoras
Tudo começou com duas meninas que encontraram nos livros uma maneira de enxergar novas possibilidades para a própria realidade.
Helena e Eduarda Ferreira, filhas da pedagoga Elen Ferreira, começaram a desenvolver o projeto Pretinhas Leitoras em 2015, quando tinham apenas sete anos. A iniciativa nasceu no Morro da Providência, a partir do desejo de compartilhar histórias, incentivar a leitura e criar espaços de acolhimento para outras crianças.
O que começou com rodas de leitura ganhou novas dimensões. Em 2018, o projeto lançou seu canal no YouTube, no qual as meninas passaram a compartilhar livros, experiências e conversas sobre questões presentes no cotidiano infantil.
Um dos marcos da iniciativa foi o livro Fa-vê-las, publicado em 2021, reunindo histórias escritas por 100 crianças de cinco comunidades do Rio de Janeiro.
O projeto também chegou à televisão, com o quadro Encontro com as Letrinhas, e contribuiu para ampliar o acesso à literatura negra e às discussões sobre representatividade.
A leitura não precisa ficar restrita às atividades de interpretação de texto. Ela também pode ser instrumento de construção da identidade, valorização cultural, autoestima e participação social.
A experiência mostra como uma educadora pode transformar inquietações do cotidiano em oportunidades de aprendizagem e protagonismo infantil.
2. Alimente Heróis com Livros: um professor que transformou a leitura em oportunidade

Local: Vila Rica, zona rural de Goiânia (GO)
Professor: Cléssio Pereira Bastos
Escola: Escola Municipal José Carlos Pimenta
Projeto: Alimente Heróis com Livros
Como despertar o interesse pela leitura quando os alunos apresentam dificuldades e não têm acesso fácil aos livros?
Essa foi uma das questões que motivaram o professor Cléssio Pereira Bastos a desenvolver o projeto Alimente Heróis com Livros.
Em 2015, ao perceber os resultados insatisfatórios dos estudantes em leitura e produção textual, o educador decidiu experimentar uma abordagem diferente.
Durante uma atividade de leitura compartilhada do livro Eu Sou Malala, ele projetou a versão digital da obra na parede da sala de aula, permitindo que a turma acompanhasse a história coletivamente.
O resultado chamou a atenção: em uma nova avaliação, a média dos estudantes passou de 3,5 para 8,0.
A experiência deu origem ao projeto Alimente Heróis com Livros. Por meio de uma campanha de financiamento coletivo, o professor mobilizou alunos e apoiadores para arrecadar recursos e comprar livros.
E houve outro detalhe importante: os próprios estudantes participaram da campanha, produzindo vídeos para apresentar a iniciativa.
Com os recursos arrecadados, a turma teve a oportunidade de visitar uma livraria e escolher seus próprios livros. Depois, os estudantes organizaram uma nova campanha para apoiar a Fundação Malala, que atua na defesa do direito à educação.
O que essa história ensina?
O professor não precisou começar com uma grande estrutura ou equipamentos sofisticados. Ele identificou uma dificuldade, utilizou os recursos disponíveis e transformou a leitura em uma experiência coletiva.
Mais do que melhorar o desempenho escolar, a proposta incentivou autonomia, participação e consciência social.
3. Educa Bracuí: quando a escola ajuda a abrir portas para o futuro

Local: Angra dos Reis (RJ)
Educadora: Alana Franco
Projeto: Educa Bracuí
Escola: Escola Municipal Quilombola Áurea Pires da Gama
Para muitos estudantes, ingressar em uma instituição de ensino profissionalizante representa uma oportunidade de ampliar horizontes e transformar perspectivas de futuro.
Mas nem todos têm acesso às mesmas condições de preparação.
Foi observando essa realidade que a educadora Alana Franco desenvolveu o projeto Educa Bracuí, em 2021, com o objetivo de preparar estudantes para o ingresso no ensino médio profissionalizante do CEFET.
A iniciativa nasceu na Escola Municipal Quilombola Áurea Pires da Gama, em Angra dos Reis, e promoveu aulas preparatórias aos sábados.
Além dos conteúdos acadêmicos, o projeto também trabalhou o protagonismo e a liderança juvenil, incentivando os estudantes a acreditarem em suas próprias capacidades.
Segundo relato da educadora, as aulas contribuíram para aumentar o número de estudantes em situação de vulnerabilidade social que conseguiram ingressar no CEFET.
O que essa história ensina?
A escola também pode funcionar como ponte entre a realidade dos estudantes e as oportunidades que parecem distantes.
Nesse contexto, o professor assume um papel que ultrapassa o ensino de disciplinas: ele ajuda a ampliar perspectivas, fortalece a confiança e cria condições para que os alunos construam novos caminhos.
4. Aquecendo Corações: estudantes aprendendo a transformar a própria comunidade

Local: Santa Catarina
Professor: Wagner Severgnini
Projeto: Aquecendo Corações
E se uma atividade escolar pudesse ensinar empatia ao mesmo tempo em que ajudasse famílias em situação de vulnerabilidade?
Foi essa a proposta do professor Wagner Severgnini com o projeto Aquecendo Corações.
A iniciativa envolveu estudantes na preparação de sopas destinadas a pessoas da comunidade que precisavam de apoio.
Mas o diferencial estava na participação dos próprios alunos: eles se envolveram em todas as etapas, desde a produção e o armazenamento até a distribuição dos alimentos.
De acordo com o relato publicado pelo portal Escolas Exponenciais, a ação impactou 80 famílias.
Mais do que uma atividade solidária, o projeto transformou uma necessidade da comunidade em uma experiência de aprendizagem sobre responsabilidade coletiva, organização e cidadania.
O que essa história ensina?
A educação também acontece quando o conhecimento sai dos livros e se transforma em atitudes.
Projetos como esse mostram que trabalhar valores humanos não precisa ficar restrito a discursos. Os estudantes podem vivenciar a solidariedade e compreender, na prática, como suas ações podem contribuir para o bem coletivo.
O que essas histórias têm em comum?
Apesar de acontecerem em regiões diferentes e trabalharem questões distintas, os projetos apresentam características que podem inspirar outros profissionais da educação.
● Identificação de necessidades reais: os educadores observaram dificuldades presentes na escola ou na comunidade.
● Criatividade pedagógica: encontraram maneiras diferentes de trabalhar conteúdos e desenvolver habilidades.
● Participação dos estudantes: os alunos deixaram de ser apenas espectadores e passaram a fazer parte das soluções.
● Conexão com a comunidade: as iniciativas aproximaram escola, famílias e território.
● Aprendizagem com propósito: o conhecimento foi relacionado a situações concretas da vida.
Essas experiências também mostram que projetos transformadores não precisam começar com grandes investimentos. Muitas vezes, uma boa ideia, planejamento e envolvimento coletivo são suficientes para dar os primeiros passos.
Como levar essa inspiração para a sua escola?
Se você deseja desenvolver um projeto com impacto social, algumas etapas podem ajudar:
Observe sua comunidade: quais problemas ou necessidades podem ser trabalhados dentro da escola?
Escute os estudantes: quais assuntos despertam interesse e mobilizam a turma?
Escolha um objetivo: leitura, inclusão, sustentabilidade, cultura, alimentação ou cidadania.
Construa uma proposta coletiva: envolva alunos, famílias e outros profissionais.
Registre os resultados: fotografias, depoimentos, produções dos estudantes e indicadores ajudam a contar a história do projeto.
O mais importante é compreender que cada realidade escolar exige soluções próprias. Não se trata de reproduzir uma iniciativa exatamente como ela foi realizada, mas de adaptar boas ideias às necessidades de cada comunidade.
O professor como agente de transformação social
As histórias de Elen Ferreira, Cléssio Pereira Bastos, Alana Franco e Wagner Severgnini mostram diferentes maneiras de exercer a docência.
Seja por meio da literatura, do incentivo à continuidade dos estudos, da solidariedade ou da valorização da identidade cultural, esses educadores demonstram que o trabalho docente pode alcançar espaços muito além da sala de aula.
E talvez essa seja uma das maiores forças da educação: a capacidade de transformar uma experiência individual em uma oportunidade coletiva.
Porque ensinar também é abrir caminhos, despertar possibilidades e ajudar outras pessoas a construírem novas histórias.
E você, professor, que transformação gostaria de promover?
Toda escola tem desafios, mas também tem pessoas, ideias e possibilidades que podem fazer a diferença.
Se você já desenvolveu um projeto que impactou seus alunos ou sua comunidade, compartilhe sua experiência. Sua iniciativa pode inspirar outros educadores a começarem uma transformação também.
Conte sua história em nosso canal do instagram e ajude a espalhar boas práticas educacionais!

